à beira de um precipício só há uma maneira de andar para a frente: é dar um passo atrás. (montaigne)
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2 de outubro de 2012
27 de agosto de 2012
juan josé millás
O cano
de uma pistola pelo cu
Se percebemos bem - e não é fácil, porque somos um bocado
tontos -, a economia financeira é a economia real do senhor feudal sobre o
servo, do amo sobre o escravo, da metrópole sobre a colónia, do capitalista
manchesteriano sobre o trabalhador explorado. A economia financeira é o inimigo
da classe da economia real, com a qual brinca como um porco ocidental com corpo
de criança num bordel asiático.
Esse porco filho da puta pode, por exemplo, fazer com que a
tua produção de trigo se valorize ou desvalorize dois anos antes de sequer ser
semeada. Na verdade, pode comprar-te, sem que tu saibas da operação, uma
colheita inexistente e vendê-la a um terceiro, que a venderá a um quarto e este
a um quinto, e pode conseguir, de acordo com os seus interesses, que durante
esse processo delirante o preço desse trigo quimérico dispare ou se afunde sem
que tu ganhes mais caso suba, apesar de te deixar na merda se descer.
Se o preço baixar demasiado, talvez não te compense semear,
mas ficarás endividado sem ter o que comer ou beber para o resto da tua vida e
podes até ser preso ou condenado à forca por isso, dependendo da região
geográfica em que estejas - e não há nenhuma segura. É disso que trata a
economia financeira.
Para exemplificar, estamos a falar da colheita de um
indivíduo, mas o que o porco filho da puta compra geralmente é um país inteiro
e ao preço da chuva, um país com todos os cidadãos dentro, digamos que com
gente real que se levanta realmente às seis da manhã e se deita à meia-noite.
Um país que, da perspetiva do terrorista financeiro, não é mais do que um jogo
de tabuleiro no qual um conjunto de bonecos Playmobil andam de um lado para o
outro como se movem os peões no Jogo da Glória.
A primeira operação do terrorista financeiro sobre a sua
vítima é a do terrorista convencional: o tiro na nuca. Ou seja, retira-lhe todo
o caráter de pessoa, coisifica-a. Uma vez convertida em coisa, pouco importa se
tem filhos ou pais, se acordou com febre, se está a divorciar-se ou se não
dormiu porque está a preparar-se para uma competição. Nada disso conta para a
economia financeira ou para o terrorista económico que acaba de pôr o dedo
sobre o mapa, sobre um país - este, por acaso -, e diz "compro" ou
"vendo" com a impunidade com que se joga Monopólio e se compra ou
vende propriedades imobiliárias a fingir.
Quando o terrorista financeiro compra ou vende, converte em
irreal o trabalho genuíno dos milhares ou milhões de pessoas que antes de irem
trabalhar deixaram na creche pública - onde estas ainda existem - os filhos,
também eles produto de consumo desse exército de cabrões protegidos pelos
governos de meio mundo mas sobreprotegidos, desde logo, por essa coisa a que
chamamos Europa ou União Europeia ou, mais simplesmente, Alemanha, para cujos
cofres estão a ser desviados neste preciso momento, enquanto lê estas linhas, milhares
de milhões de euros que estavam nos nossos cofres.
E não são desviados num movimento racional, justo ou
legítimo, são-no num movimento especulativo promovido por Merkel com a
cumplicidade de todos os governos da chamada zona euro.
Tu e eu, com a nossa febre, os nossos filhos sem creche ou
sem trabalho, o nosso pai doente e sem ajudas, com os nossos sofrimentos morais
ou as nossas alegrias sentimentais, tu e eu já fomos coisificados por Draghi,
por Lagarde, por Merkel, já não temos as qualidades humanas que nos tornam
dignos da empatia dos nossos semelhantes. Somos simples mercadoria que pode ser
expulsa do lar de idosos, do hospital, da escola pública, tornámo-nos algo
desprezível, como esse pobre tipo a quem o terrorista, por antonomásia, está
prestes a dar um tiro na nuca em nome de Deus ou da pátria.
A ti e a mim, estão a pôr nos carris do comboio uma bomba
diária chamada prémio de risco, por exemplo, ou juros a sete anos, em nome da
economia financeira. Avançamos com ruturas diárias, massacres diários, e há
autores materiais desses atentados e responsáveis intelectuais dessas ações
terroristas que passam impunes entre outras razões porque os terroristas vão a
eleições e até ganham, e porque há atrás deles importantes grupos mediáticos
que legitimam os movimentos especulativos de que somos vítimas.
A economia financeira, se começamos a perceber, significa
que quem te comprou aquela colheita inexistente era um cabrão com os documentos
certos. Terias tu liberdade para não vender? De forma alguma. Tê-la-ia comprado
ao teu vizinho ou ao vizinho deste. A atividade principal da economia
financeira consiste em alterar o preço das coisas, crime proibido quando
acontece em pequena escala, mas encorajado pelas autoridades quando os valores
são tamanhos que transbordam dos gráficos.
Aqui se modifica o preço das nossas vidas todos os dias sem
que ninguém resolva o problema, ou mais, enviando as autoridades para cima de
quem tenta fazê-lo. E, por Deus, as autoridades empenham-se a fundo para
proteger esse filho da puta que te vendeu, recorrendo a um esquema legalmente
permitido, um produto financeiro, ou seja, um objeto irreal no qual tu
investiste, na melhor das hipóteses, toda a poupança real da tua vida. Vendeu
fumaça, o grande porco, apoiado pelas leis do Estado que são as leis da
economia financeira, já que estão ao seu serviço.
Na economia real, para que uma alface nasça, há que semeá-la
e cuidar dela e dar-lhe o tempo necessário para se desenvolver. Depois, há que
a colher, claro, e embalar e distribuir e faturar a 30, 60 ou 90 dias. Uma
quantidade imensa de tempo e de energia para obter uns cêntimos que terás de
dividir com o Estado, através dos impostos, para pagar os serviços comuns que
agora nos são retirados porque a economia financeira tropeçou e há que tirá-la
do buraco. A economia financeira não se contenta com a mais-valia do
capitalismo clássico, precisa também do nosso sangue e está nele, por isso
brinca com a nossa saúde pública e com a nossa educação e com a nossa justiça
da mesma forma que um terrorista doentio, passo a redundância, brinca enfiando
o cano da sua pistola no rabo do sequestrado.
Há já quatro anos que nos metem esse cano pelo rabo. E
com a cumplicidade dos nossos.
2 de agosto de 2012
merdas das férias
como estava em repouso, fui seguindo à distância, bem à distância, as peripécias deste jardim à beira mar plantado, por isso apenas destaco estas 3 pequenas, grandes, coisas:
- a licenciatura do relvas prova que neste país qualquer merda é doutor...
- todos os anos é a mesma merda, o país a arder e a culpa é sempre do outro...
- o país cada vez mais se parece com a grécia e os neoliberais continuam achar que é o único caminho, grande merda...
ainda bem que começou os jogos olímpicos...
1 de agosto de 2012
1 de julho de 2012
aviso
caros amigos, o duquedepaus vai hibernar durante este mês, devido a férias
e, principalmente, à chegada de uma Very Important Person. por isso, os posts
neste blog vão ser inexistentes ou muito raros.
11 de junho de 2012
10 de junho
apesar de ser um país maltratado por uma elite (sic) medíocre, continua a ser um país com muita HISTÓRIA...
25 de abril de 2012
1 de janeiro de 2012
ano novo vida velha
estar aqui a desejar um bom ano, já nem falo em ano próspero, é um puro exercício de humor negro, sabemos que este ano vai ser miserável a todos os níveis, graças aos neoliberais que rebentaram com a economia, por isso, apenas deixo alguns desejos para 2012.
desejo que o povo não seja tão apático e lute por aquilo a que tem direito...
desejo que o povo reaja quando é insultado e escorraçado do país onde nasceu por um bando de chulos...
desejo que o povo perceba que existe alternativa a esta política neoliberal miserável...
desejo aos nossos governantes uma valente caganeira que os desfaça em merda...
desejo uma revolução que modifique o paradigma em que vivemos...
desejo que estes desejos sejam uma realidade em 2012...
coragem para todos… a gente vê-se na rua para escorraçar este governo merdento...
24 de dezembro de 2011
28 de setembro de 2011
aniversário
pois é, o 2 de paus faz um anito hoje, um pequeno passo para a blogosfera, mas um grande passo para mim, já que nunca pensei que este desafio dura-se tanto, mas a verdade é que chegou aqui e vai continuar o seu caminho, lá diz o ditado, quem corre por gosto...
obrigado aos visitantes, eu sei que eles andam por aí... anónimos e menos anónimos... que ainda encontram pachorra para cá virem.
como prenda de aniversário, fui ao SPA e fiz uma mudança de visual, espero que agrade...
28 de setembro de 2010
editorial...
mais um blog??? para quê??? honestamente para nada, isto vai funcionar como um alivio de alma(???), sempre fica mais barato do que ir ao psicólogo...
o que vai tratar??? o que me der na real gana de escrever...
vai ter leitores??? isto é um exercício masturbatório, por isso...mas se, por acaso, tiverem a desgraça de caírem aqui, divirtam-se...ou não...
é um blog responsável??? totalmente irresponsável...
ah!!!... já que estão aqui, não se esqueçam de dar de comer aos peixinhos, basta clicar em cima, eles agradecem...
o que vai tratar??? o que me der na real gana de escrever...
vai ter leitores??? isto é um exercício masturbatório, por isso...mas se, por acaso, tiverem a desgraça de caírem aqui, divirtam-se...ou não...
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